sexta-feira, 3 de julho de 2009

Nomes sem Rostos


Odeio memorizar nomes sem rostos. Quando conheço alguém, 'decoro' primeiro suas feições e seus gestos. O nome vem um tempo depois, como um complemento... Às vezes, até que a graça combina com a essência daquele ser humano, às vezes não. O problema é quando tenho que conhecer um nome primeiro, para só depois ver o rosto e os trejeitos do dono ganharem forma, nitidez. Nisso eu não sou boa. Me atrapalho toda.

É por isso que nunca gostei de livros com muitas personagens. Daquele tipo que você tem que ir tomando nota dos nomes num papelzinho à parte para que lembre, lá pelo clímax da trama, daquela criatura apresentada na introdução. Muito chato, né não? O problema é que isso acabou me privando de apreciar livros que dizem ser muito bons, como Cem Anos de Solidão... (pois é, confesso, não passei das primeiras páginas... chunf).

O mesmo acontece com minhas leituras sobre Mitologia. Apesar do interesse genuíno pelas estórias nelson-rodriguianas dos deuses mais ‘humanos’ que a cultura ocidental já pôde criar, eu sempre me perco pelos nomes e graus de parentesco entre as personagens e fica difícil lembrar depois quem fez o quê. Sucks. :/

Para os desmemoriados e amantes de boas estórias, como eu, este blog vai servir de ‘papelzinho à parte’, e nos acompanhar por um passeio light pela mitologia grega, que começa já, já, na próxima postagem. :)

Beijos!

PS: A imagem é a pintura 'Mulher Chorando'
(1937), de Picasso.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Illusion & Dream


With silence comes peace.
With peace comes freedom.
With freedom comes silence.
(Poets of the Fall)

3:34 da madrugada e só agora meu cérebro consegue distinguir perfeitamente as letras retidas na minha retina. Depois de horas de privação parcial da visão, eis que as primeiras palavras que decodifico não são as da página de um livro. Mas essas:

The inner dimensions
This influence signifies a concern with the very deep issues in life. Today you are interested in what goes on underneath the surface of events and phenomena, and you are willing to dig until you find out. This energy can also turn inward, which is often very profitable. It may be beneficial to be alone so that others cannot distract you from your inward search. For this reason you are likely to be attracted to subjects that reveal the inner dimensions of the psyche, such as psychology or astrology. You may encounter someone today whose ideas have a great effect upon your mind. This is a good time for learning something new, because you can allow your beliefs to be transformed by what you learn. Also you will tend to have a strong effect on other people's thinking today.

Confesso: previsão para o meu dia segundo os astros... (ou, pelo menos, segundo um deles: o ponto com).

Beijos! :P

PS: A seguir: Paulinha versão óculos para íntimos.

domingo, 28 de junho de 2009

No tempo e no espaço


Exatamente um mês após a última postagem, eis que eu retorno a este blog com novidades. Quem acompanha minha vida mais de perto sabe dos motivos deste sumiço: o acúmulo de trabalho que me fez passar feriados e finais de semana na frente dessa telinha tão amável quanto repugnante. E antes que ouça mais uma vez: não, eu não estou ficando rica. A quantidade de trabalho ainda não é proporcional à quantidade de recursos na minha conta bancária. Quando forem convidados para dar uma voltinha no veleiro Cross... Aí sim! :P

A postagem de hoje é sobre os primórdios do processo de gravação de áudio (já sei até quem vai gostar disso... :P).


Antes da gravação elétrica ser desenvolvida em 1925 e começar a ser disseminada pelo mundo no ano seguinte, tudo era gravado acusticamente – e todos os instrumentos ao mesmo tempo! Os músicos ficavam posicionados ao redor de uma trompa, com os instrumentos mais altos ficando mais longe. Os resultados eram quase sempre estridentes e sem muita fidelidade.

Por isso, as gravações deste período dão uma idéia de como os instrumentistas e cantores daquela época soavam, mas não devem ser comparados a uma apresentação ao vivo, ou coisa do gênero. Em função de problemas para conseguir obter a equalização apropriada, os bateristas não podiam usar todo o set de bateria, os banjos eram preferidos às quase inaudíveis guitarras e os instrumentos de baixo eram considerados opcionais.

Algumas gravadoras tinham engenheiros de som bem criativos, que se aventuravam por soluções alternativas. Já outras ficaram com má fama por causa da barulheira que apresentavam (a Paramount era uma delas, acreditem!). É por isso que para os ouvintes de hoje o jazz gravado antes de 1926 é difícil de gostar. É preciso ouvir com muita vontade (aumentar o volume ajuda! ehehe) para realmente ouvir o que estava rolando naquelas gravações acústicas dos anos 20.

Ah! Como vocês sabem, para escutar os discos, as pessoas usavam um gramofone (inventado pelo alemão Emil Berliner) ou um fonógrafo. O fonógrafo é aquele ali em cima, que foi criado por Thomas Edison (sim, o mesmo que inventou a lâmpada elétrica incandescente - thanx Thomas! eheheh).



Amanhã volto aqui dando um passo bem mais largo na história do jazz. Desculpem a demora neste começo... É que eu tenho uma quedinha especial pelo começo das coisas... Saber quais e como certos fatores precisaram estar espontaneamente - ou não - orquestrados no tempo e no espaço para que algo novo acontecesse ou surgisse é muito... encantador! Não acham? :)

Beijo!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Um Passeio por Charleston e Chicago


Continuando nosso passeio pelas origens do jazz, transportemo-nos aos anos 1920...

Na primeira metade dessa década, à proporção em que as gravações se tornavam comuns e espalhavam a música ao redor do globo, o jazz começou a evoluir exponencialmente. O gênero mudou mais nesse período do que nos vinte anos anteriores. Nomes como Original Dixieland Jazz Band e Mamie Smith, que em 1920 eram novidades, em 1926 já eram considerados relíquias do passado ou ultrapassados. Quem assumia o posto de novidade agora eram artistas como Louis Armstrong, Bessie Smith e James J. Johnson.

Mas antes de falar desses artistas, falemos um pouco sobre o contexto histórico desse período... Shall we? :P

Tendo se tornado uma potência mundial durante a Grande Guerra, os Estados Unidos começavam a fazer aquilo que são bons até hoje: se voltar ao próprio umbigo e ignorar o resto do mundo. O território norteamericano (agora sem hífen – eheheh) estava próspero e não havia perspectiva de novas guerras. Ao contrário, havia um clima de otimismo entre os cidadãos - mesmo com a Lei Seca e com o auge de popularidade da Ku Klux Klan (pois é :/).

Como todos achavam que não haveria mais grandes guerras, muitos americanos estavam concentrados em construir seus próprios negócios, fazer dinheiro (muitos através do boom da bolsa de valores) e, claro, se divertir, dançando ao som daquela música chamada "jazz" e experimentando um novo passo de dança, chamado "Charleston".

Vocês também podem aprender, ó (ehehehe):





Diante da ilegalidade do consumo de bebidas alcoólicas, proliferavam-se bares ilegais, clubes noturnos e cassinos clandestinos pelas cidades... Os gangsteres tomavam conta do submundo norteamericano... Mesmo que estivesse começando a se proliferar e a influenciar a música popular da época, o jazz era considerado basicamente uma forma de entretenimento. Praticamente não se falava da música como sendo uma importante forma de arte e não existiam publicações de textos sérios sobre o assunto. Seu principal objetivo naquela época, pelo menos para o grande público, era inspirar os dançarinos e suas performances - ainda muito ligadas aos espetáculos de vaudeville.

Para quem gosta de cinema, o musical “Chicago” (diretor Rob Marchal), conta a história real das assassinas Velma Kelly e Roxie Hart, que se conheceram na prisão e se tornam famosas dançarinas deste tipo de espetáculo, justamente na década de 1920.





Ah! Essa música não foi feita nos anos 20! Ela foi composta por John Kander e Fred Ebb para a peça musical "Chicago" (de 1976), que foi transformada nesse filme de Rob Marchal, lançado em 2002. Enfim, eu adoro essa música anyway. :)

Beijos!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Desenvolvimento como Liberdade



Hoje eu estou empolgada porque minha mais nova aquisição chegou: o livro "Desenvolvimento como Liberdade", de Amartya Sen. O bangladeshiano é tão retado que ganhou o prêmio Nobel em Ciências Econômicas, em 1998.
Para quem não sabe (ta vendo, esse blog também fala da minha vida! eheheh), eu estou cada vez mais voltada a estudar/trabalhar com projetos e ações socioculturais que têm em vista o Desenvolvimento Sustentável: desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental.

Pelo visto, esse livro tem tudo a ver, porque parece que a tese que ele defende é de que para haver liberdade é preciso haver possibilidade de escolha. E para se ter a noção de que há possibilidade de escolha, é preciso ter desenvolvimento. A pobreza seria, assim, uma privação de capacidades.

Folheando o livro, o que me chamou a atenção foi a familiaridade com os temas. Sabe aquela sensação que a gente tem quando um bom professor explica alguma coisa de forma tão simples que o complicado vira óbvio? A sensação que dá é de que você já detinha aqueles conhecimentos no seu interior, e que o professor só o ajudou a iluminar (desvelar) aquilo que você não conseguia ver antes... Como o que Sócrates dizia sobre o caminho individual para o conhecimento (não é isso, Marcinho? rsrs).

Estou ansiosa pela leitura. Quem se interessar pelo tema, pode aguardar alguns posts aqui.

Beijos!

Ah! Quem me indicou esse livro foi Larissa. Obrigada, Lara! :)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Aquela Voz Negra Feminina e uma Orquestra de Branquelos Retados


Com o fim da I Guerra Mundial, em 1918, os Estados Unidos emergiam como uma potência mundial (começava a expansão imperialista norteamericana, lembram das aulas de história? Eheheh). Foi nesse contexto, portanto, que a Original Dixieland Jazz Band se tornou o primeiro grupo de jazz a visitar a Europa, em 1919. A temporada de 9 meses no Hammersmith Palais, em Londres, rendeu grandes manchetes nos jornais da época e fizeram com que surgisse uma onda de jazz na Europa. A banda chegou a gravar 17 músicas em solo britânico, retornando aos Estados Unidos em 1920.

Em 14 de fevereiro deste mesmo ano, aos 36 anos de idade, Mamie Smith entrava para a história como a primeira cantora negra (não-gospel) a gravar uma canção. Ela fez sua estréia com as músicas “That thing Called Love” e “You Can’t Keep a Good Man Down”. Como as vendas foram boas, Mamie teve a chance de lançar mais duas gravações: “Crazy Blues” e “It’s Right Here For You”. Em 6 meses, ela vendeu mais de 1 milhão de cópias (pasmem!): o blues virava febre nos Estados Unidos.


Mamie Smith havia começado sua carreira dançando com um grupo de vaudeville (chamado "Four Mitchels") e cantando em clubes do Harlem. Para quem não sabe, ou não se lembra, vaudeville era a forma de entretenimento mais popular nos Estados Unidos no final do século XIX e início do século XX. Era uma mistura de dança, música, encenação, mágica, truques... Os primeiros truques que antecederam a criação da arte da animação, inclusive, datam desta mesma época, através do trabalho de artistas desse gênero (se eu bem me lembro o meu TCC... rsrs).


Mas vale lembrar também que, tecnicamente, o blues de Mamie Smith não foi o primeiro a ser gravado. W.C. Memphis Blues Band já havia gravado “Memphis Blues”, em 1914, e a ODJB já agradara o público com “Liberty Stable Blues”. Mas, de fato, era a primeira vez que a voz de uma vocalista negra era capturada e influenciava diversos outros músicos.

Até o início dos anos 1920, pelo menos em gravações, o mundo do jazz se dividia em dois: de um lado, a ODJB e seus seguidores, que tocavam de ouvido e buscavam liberdade de improvisação; por outro, as grandes orquestras dançantes, com arranjos elaborados e rigidez formal, que não dava espaço para o improviso. A orquestra de Paul Whiteman foi uma das mais significativas.



Criada em 1918, em São Francisco, a Paul Whiteman Orchestra se estabeleceu em Nova Iorque em 1920, onde gravou seu maior sucesso de vendas: “Whispering”. Paul Whiteman era tido como um dos líderes do jazz na época e conceituado como o "músico que suavizou e refinou os aspectos primitivos” da música apresentada pela ODJB. Ele era chamado pela imprensa de "rei do jazz".

Ao final de 1920, o sucesso da ODJB, de Paul Whiteman e de Mamie Smith inspirava os selos a gravarem mais jazz. Mas, vale lembrar, quase todas as gravações eram feitas em Nova Iorque e muito poucos negros tiveram a chance de ter seu trabalho registrado para a posteridade. Por isso, tentar retratar o mundo do jazz apenas com base nos registros sonoros seria uma leviandade. O buraco, com certeza, era mais embaixo.

------------------------------------

Ah! Olha que chique! Agora vocês podem ouvir as músicas! Graças à ajuda de Ricardo, que me deu um passo a passo sensacional (que eu nunca descobriria sozinha). Thanx! =)

Beijos!




<

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Quitando Dívidas


Apesar da ajuda (obrigada, Ricardo!), ainda estou com dificuldades para postar somente as músicas aqui (vocês conhecem minhas limitações virtuais - eheheh):/

A solução paliativa encontrada foi, portanto, postar esses vídeos do YouTube. :P Mesmo que não tenham lá imagens muito interessantes, eu optei por postá-los (em vez de outros que mostram pessoas tocando de verdade) porque queria postar mesmo as versões originais. Tentem então se focar no som, beleza? That's it. Enjoy yourselves! :)
Beijos!