sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Um Post Pessoal




Essa sou eu hoje.

Depois de meses afastada desse blog, eu volto com um post altamente pessoal. O que isso quer dizer? Mudança de paradigma? Vontade de transgredir as próprias regras? Vontade de jogar tudo pro alto e sair assim, leve como uma pena planando no ar?

Um pouco de cada, eu acho. Mas o mais importante talvez não seja o motivo que faz a pena correr livre no vento. Se ela se caiu de uma ave, se se desprendeu da mão de um escriba, se é apenas uma ilusão...

Nada importa senão o que está por vir. A chegada. A incrível e excitante incapacidade de prever quando e onde ela vai pousar.


sábado, 8 de agosto de 2009

Música nas Escolas Brasileiras


Para tirar as teias de aranha, uma boa notícia
.

Beijo!

A partir de 2011, segundo a lei nº 11.769, a música vai voltar às salas de aula no Brasil. Estudantes do primeiro ao nono ano deverão entrar em contato com a teoria e a prática de transformar sons em arte. Com isso, é recuperada uma disciplina que já foi muito importante no currículo brasileiro até 1956.

Afinal, é público e notório que a canção popular é a mais reconhecida das artes do Brasil, dentro e fora do País. As melodias e a batida da Bossa Nova e o forte impacto da Tropicália são influentes na produção cultural em todo planeta. Mas parece que o sistema educacional brasileiro não mais considerava esse potencial educacional do trabalho com ritmos e melodias.

Para o compositor Felipe Radicetti, coordenador nacional da campanha "Quero Educação Musical na Escola, “a música cumpre um papel mediador das relações sociais e promove o desenvolvimento afetivo das crianças, além disso pode ser usada como um elemento agregador nas outras disciplinas”. E completa: “A educação musical nas escolas tem uma função muito ampla, mas não é a de formar músicos. Ela desenvolve a escuta e portanto atua diretamente sobre a qualidade de fruição da música”.

A opinião também é dividida por Cleide Salgado, que desenvolve o projeto "Música nas Escolas", em Barra Mansa, no Rio de Janeiro. A iniciativa foi criada em 2003 e mais de cinco mil crianças já foram ou estão sendo formadas. Alguns hoje até integram a Orquestra Sinfônica da Cidade, a Banda Sinfônica, a Banda da Cidade e a Drum Lata. “Independente de formar músicos ou não, o aprendizado de música nas salas de aula ensina concentração, disciplina , o desenvolvimento do trabalho em grupo e leva a cultura para toda a família”, diz Cleide.

Segundo ela, desde que 72 escolas da rede pública de Barra Mansa adotaram a música na grade curricular, a cidade reforçou seus laços com a cultura. “As apresentações da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa se tornaram um grande evento popular. É comum também encontrar meninos com seus instrumentos nos ônibus da cidade”.

Para Cleide, o mais importante é que a música faça parte do currículo sem se descuidar das outras práticas artísticas. “O envolvimento com a arte é fundamental na formação de qualquer pessoa, mas eu acho que a escola tem que dar opção para o estudante. Tem que estimular o seu desenvolvimento na área em que ele mais tem aptidão”, defende.

Foi o movimento “Quero Educação Musical na Escola” , do qual Felipe Radicetti faz parte, que retomou o debate da reinserção da música no currículo escolar. Agora com o projeto sancionado, o compositor acredita que “a campanha teve o objetivo de democratizar o acesso a essa educação tão importante a todos os brasileiros”.

Segundo ele, o próximo passo é “implementar a educação musical nas escolas plenamente, tal como nos países desenvolvidos. As dificuldades da educação no Brasil são generalizadas e os nossos números são um escândalo. Estamos tão acostumados com eles, que chegam até a nos parecer aceitáveis”.

As escolas de música, músicos e instituições ligadas à educação começam a pensar como pode ser esse currículo. Uma das iniciativas para debater o assunto é da revista Carta na Escola. O "Seminário Música nas Escolas" irá reunir músicos e educadores no dia 17 de agosto para discutir algumas propostas sobre o ensino de música. Pode ser também um bom momento para se debater o papel da cultura na educação dos brasileiros.

Fonte: Blog Acesso

sábado, 4 de julho de 2009

Três Divinas Gerações


No começo de tudo só havia o Caos, uma espécie de matéria indefinível e eterna, detentora dos princípios fundadores de todos os seres. Dando sentido ao Caos, surgiu Gaia, a mãe universal de todos os seres, também chamada de Terra. O Caos gerou Nix (a Noite), a mãe dos deuses, e Érebo (a escuridão, o criador das Trevas).

Nix e seu irmão Érebo se amaram e, do casamento, nasceram Éter (luz celeste, sem os corpos luminosos) e Hemera (a luz do dia).

Sozinha, Nix ainda deu à luz: o Destino (deus cego da inflexibilidade, que se fez senhor dos homens e das coisas do mundo), Tânatos (a Morte), Hipno (o Sono), a Legião dos Sonhos, Momo (o Sarcasmo), a Miséria, as Hespérides (três irmãs - Egle, Erítia e Hespera - que personificam o dia), as Moiras (três irmãs - Cloto, Láquese e Átropos - que determinavam o destino tanto dos deuses quanto dos seres humanos), Nêmesis (deusa da ética), a Fraude, a Concupiscência (o apetite sexual), a Velhice e Éris (a Discórdia).

Por sua vez, Gaia gerou de si mesma Urano (o Céu Constelado), os Montes e o Mar. Gaia teve muitos nomes: Telus, Cibele, Titéia e Vesta. Como Vesta, casou com seu filho Urano, que se tornou o primeiro rei dos deuses. Deste casamento, nasceram os Titãs e as Titânides, os Ciclopes (gigantes de um olho só) e os Hecatonquiros (que tinham cem braços e cinquenta cabeças).

Os Titãs e as Titânides eram muitos, incluindo Titã (o primogênito) e Cronos (Saturno, o deus do Tempo). Como Cronos desejava ser o primogênito, propôs a seu irmão uma troca de posições. Titã aceitou, mas impôs a condição de que seus descendentes é que seriam os herdeiros do trono. Antes que pensem que ele foi bonzinho em ceder seu lugar ao irmão, saibam que Titã só aceitou a troca porque os oráculos o haviam dito que ele seria destronado por um de seus filhos de qualquer jeito. Cronos aceitou a condição imposta pelo irmão, prometendo eliminar seus próprios filhos. Para proteger-se do assédio do filho e marido, Urano, Gaia armou Cronos com uma foice bem afiada, que ele usou para castrar e destronar o pai, tornando-se rei dos deuses.

Cronos casou com sua irmã Réia. A cada filho ou filha nascido do casamento, o rei os devorava para cumprir o trato com o irmão mais velho, Titã. Mas, quando Réia estava prestes a dar à luz Zeus, decidiu que este filho Cronos não engoliria. Decidiu descer do Olimpo, a morada dos deuses, e foi para uma gruta na ilha de Creta. Depois de nascido, Réia deixou Zeus sob os cuidados de uma de suas ninfas e, para enganar Urano, deu-lhe uma pedra envolta por uma manta, no lugar do bebê. Urano só descobriria que Zeus estava vivo anos mais tarde, quando este destronaria o pai, faria justiça, fazendo-o vomitar seus irmãos engolidos, e começaria seu reinado como o deus supremo, pai de todos os deuses do Olimpo.


Estas são, portanto, as três divinas gerações: 1) a Geração de Urano, marcada pela violência; 2) a Geração de Cronos, o organizador do tempo; e 3) a Geração de Zeus, o legislador.

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Ah! Para quem não sabe, a mitologia grega foi apropriada pelos romanos (e foi assim que chegou até nós). É por isso que muitos deuses têm mais de um nome. Aqui, estou usando os nomes de origem grega e, sempre que possível, o correlato romano, entre parênteses. :)

A figura da imagem é Nix, a personificação da Noite.

Beijos!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Nomes sem Rostos


Odeio memorizar nomes sem rostos. Quando conheço alguém, 'decoro' primeiro suas feições e seus gestos. O nome vem um tempo depois, como um complemento... Às vezes, até que a graça combina com a essência daquele ser humano, às vezes não. O problema é quando tenho que conhecer um nome primeiro, para só depois ver o rosto e os trejeitos do dono ganharem forma, nitidez. Nisso eu não sou boa. Me atrapalho toda.

É por isso que nunca gostei de livros com muitas personagens. Daquele tipo que você tem que ir tomando nota dos nomes num papelzinho à parte para que lembre, lá pelo clímax da trama, daquela criatura apresentada na introdução. Muito chato, né não? O problema é que isso acabou me privando de apreciar livros que dizem ser muito bons, como Cem Anos de Solidão... (pois é, confesso, não passei das primeiras páginas... chunf).

O mesmo acontece com minhas leituras sobre Mitologia. Apesar do interesse genuíno pelas estórias nelson-rodriguianas dos deuses mais ‘humanos’ que a cultura ocidental já pôde criar, eu sempre me perco pelos nomes e graus de parentesco entre as personagens e fica difícil lembrar depois quem fez o quê. Sucks. :/

Para os desmemoriados e amantes de boas estórias, como eu, este blog vai servir de ‘papelzinho à parte’, e nos acompanhar por um passeio light pela mitologia grega, que começa já, já, na próxima postagem. :)

Beijos!

PS: A imagem é a pintura 'Mulher Chorando'
(1937), de Picasso.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Illusion & Dream


With silence comes peace.
With peace comes freedom.
With freedom comes silence.
(Poets of the Fall)

3:34 da madrugada e só agora meu cérebro consegue distinguir perfeitamente as letras retidas na minha retina. Depois de horas de privação parcial da visão, eis que as primeiras palavras que decodifico não são as da página de um livro. Mas essas:

The inner dimensions
This influence signifies a concern with the very deep issues in life. Today you are interested in what goes on underneath the surface of events and phenomena, and you are willing to dig until you find out. This energy can also turn inward, which is often very profitable. It may be beneficial to be alone so that others cannot distract you from your inward search. For this reason you are likely to be attracted to subjects that reveal the inner dimensions of the psyche, such as psychology or astrology. You may encounter someone today whose ideas have a great effect upon your mind. This is a good time for learning something new, because you can allow your beliefs to be transformed by what you learn. Also you will tend to have a strong effect on other people's thinking today.

Confesso: previsão para o meu dia segundo os astros... (ou, pelo menos, segundo um deles: o ponto com).

Beijos! :P

PS: A seguir: Paulinha versão óculos para íntimos.

domingo, 28 de junho de 2009

No tempo e no espaço


Exatamente um mês após a última postagem, eis que eu retorno a este blog com novidades. Quem acompanha minha vida mais de perto sabe dos motivos deste sumiço: o acúmulo de trabalho que me fez passar feriados e finais de semana na frente dessa telinha tão amável quanto repugnante. E antes que ouça mais uma vez: não, eu não estou ficando rica. A quantidade de trabalho ainda não é proporcional à quantidade de recursos na minha conta bancária. Quando forem convidados para dar uma voltinha no veleiro Cross... Aí sim! :P

A postagem de hoje é sobre os primórdios do processo de gravação de áudio (já sei até quem vai gostar disso... :P).


Antes da gravação elétrica ser desenvolvida em 1925 e começar a ser disseminada pelo mundo no ano seguinte, tudo era gravado acusticamente – e todos os instrumentos ao mesmo tempo! Os músicos ficavam posicionados ao redor de uma trompa, com os instrumentos mais altos ficando mais longe. Os resultados eram quase sempre estridentes e sem muita fidelidade.

Por isso, as gravações deste período dão uma idéia de como os instrumentistas e cantores daquela época soavam, mas não devem ser comparados a uma apresentação ao vivo, ou coisa do gênero. Em função de problemas para conseguir obter a equalização apropriada, os bateristas não podiam usar todo o set de bateria, os banjos eram preferidos às quase inaudíveis guitarras e os instrumentos de baixo eram considerados opcionais.

Algumas gravadoras tinham engenheiros de som bem criativos, que se aventuravam por soluções alternativas. Já outras ficaram com má fama por causa da barulheira que apresentavam (a Paramount era uma delas, acreditem!). É por isso que para os ouvintes de hoje o jazz gravado antes de 1926 é difícil de gostar. É preciso ouvir com muita vontade (aumentar o volume ajuda! ehehe) para realmente ouvir o que estava rolando naquelas gravações acústicas dos anos 20.

Ah! Como vocês sabem, para escutar os discos, as pessoas usavam um gramofone (inventado pelo alemão Emil Berliner) ou um fonógrafo. O fonógrafo é aquele ali em cima, que foi criado por Thomas Edison (sim, o mesmo que inventou a lâmpada elétrica incandescente - thanx Thomas! eheheh).



Amanhã volto aqui dando um passo bem mais largo na história do jazz. Desculpem a demora neste começo... É que eu tenho uma quedinha especial pelo começo das coisas... Saber quais e como certos fatores precisaram estar espontaneamente - ou não - orquestrados no tempo e no espaço para que algo novo acontecesse ou surgisse é muito... encantador! Não acham? :)

Beijo!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Um Passeio por Charleston e Chicago


Continuando nosso passeio pelas origens do jazz, transportemo-nos aos anos 1920...

Na primeira metade dessa década, à proporção em que as gravações se tornavam comuns e espalhavam a música ao redor do globo, o jazz começou a evoluir exponencialmente. O gênero mudou mais nesse período do que nos vinte anos anteriores. Nomes como Original Dixieland Jazz Band e Mamie Smith, que em 1920 eram novidades, em 1926 já eram considerados relíquias do passado ou ultrapassados. Quem assumia o posto de novidade agora eram artistas como Louis Armstrong, Bessie Smith e James J. Johnson.

Mas antes de falar desses artistas, falemos um pouco sobre o contexto histórico desse período... Shall we? :P

Tendo se tornado uma potência mundial durante a Grande Guerra, os Estados Unidos começavam a fazer aquilo que são bons até hoje: se voltar ao próprio umbigo e ignorar o resto do mundo. O território norteamericano (agora sem hífen – eheheh) estava próspero e não havia perspectiva de novas guerras. Ao contrário, havia um clima de otimismo entre os cidadãos - mesmo com a Lei Seca e com o auge de popularidade da Ku Klux Klan (pois é :/).

Como todos achavam que não haveria mais grandes guerras, muitos americanos estavam concentrados em construir seus próprios negócios, fazer dinheiro (muitos através do boom da bolsa de valores) e, claro, se divertir, dançando ao som daquela música chamada "jazz" e experimentando um novo passo de dança, chamado "Charleston".

Vocês também podem aprender, ó (ehehehe):





Diante da ilegalidade do consumo de bebidas alcoólicas, proliferavam-se bares ilegais, clubes noturnos e cassinos clandestinos pelas cidades... Os gangsteres tomavam conta do submundo norteamericano... Mesmo que estivesse começando a se proliferar e a influenciar a música popular da época, o jazz era considerado basicamente uma forma de entretenimento. Praticamente não se falava da música como sendo uma importante forma de arte e não existiam publicações de textos sérios sobre o assunto. Seu principal objetivo naquela época, pelo menos para o grande público, era inspirar os dançarinos e suas performances - ainda muito ligadas aos espetáculos de vaudeville.

Para quem gosta de cinema, o musical “Chicago” (diretor Rob Marchal), conta a história real das assassinas Velma Kelly e Roxie Hart, que se conheceram na prisão e se tornam famosas dançarinas deste tipo de espetáculo, justamente na década de 1920.





Ah! Essa música não foi feita nos anos 20! Ela foi composta por John Kander e Fred Ebb para a peça musical "Chicago" (de 1976), que foi transformada nesse filme de Rob Marchal, lançado em 2002. Enfim, eu adoro essa música anyway. :)

Beijos!